O futuro da tributação no setor de manufatura: como se preparar para o que vem a seguir
Larry Mellon explica como as equipes do setor fiscal podem se adaptar às tendências da manufatura, de automação a novos modelos de receita.
Quando os especialistas em manufatura olham para sua bola de cristal, eles veem um futuro definido por colaboração entre setores, produtos conectados e soluções integradas. Quando os líderes da área de impostos indiretos consideram essas tendências de “Manufatura 2030”, é provável que vejam um conjunto impressionante de desafios de conformidade fiscal.
Com base em pesquisas com mais de 400 líderes do setor de manufatura em todo o mundo, as perspectivas globais de manufatura 2026 da PwC avaliam tendências, oportunidades e riscos no setor, ao mesmo tempo que se concentram nas formas mais relevantes que os executivos da área de manufatura esperam que suas organizações evoluam ao longo dos próximos quatro anos. Principais conclusões do relatório incluem:
- Habilitação de tecnologia e adoção da automação estão em alta em todas as cadeias de suprimentos. Os entrevistados esperam que as cadeias de suprimentos sejam de duas a três vezes mais automatizadas do que são em 2026. Até 2030, a vantagem competitiva dependerá menos de ter ferramentas avançadas implementadas e mais de quão bem as ferramentas e os dados utilizados são organizados.
- O crescimento da receita virá de outras fontes além dos produtos industriais e de consumo tradicionais. Isso se traduz em mais pacotes de produtos e serviços, ofertas conectadas e serviços baseados em resultados.
- O aprimoramento de competências e a infraestrutura digital/de dados estão em risco. O relatório da pesquisa alerta que o investimento insuficiente em ambas as áreas dificultará que as empresas de manufatura aproveitem plenamente as oportunidades de crescimento.
- Novos facilitadores estão surgindo: os fabricantes vão superar os concorrentes com base na excelência operacional, na orientação ao cliente e na inovação. A execução dessas estratégias exige "dados limpos e conectados; sistemas interoperáveis; modelos operacionais estruturados e culturas organizacionais sólidas, baseadas na confiança", de acordo com o relatório.
Desafios tributários na manufatura até 2030
Algumas dessas tendências vão causar surpresa entre as equipes de impostos indiretos. No que diz respeito às mudanças nas fontes de crescimento, o relatório indica que 44% da receita total deverá vir de fora da fabricação de produtos industriais e de consumo até 2030, por meio de:
- Produtos e serviços de tecnologia, digitais e de comunicações
- Ofertas voltadas aos setores de defesa, governamental e educacional
- Produção e distribuição de energia e combustíveis
Como a área fiscal pode acompanhar o ritmo
À medida que os fabricantes avançam para novas categorias, colaboram com novos parceiros e criam novos produtos, números maiores de novos SKUs precisarão ser classificados para fins de IVA/GST e imposto sobre vendas e uso (SUT). Os processos de gerenciamento de isenções também precisarão acompanhar essas mudanças. Novas ofertas relacionadas à distribuição de energia e combustível podem levar os fabricantes tradicionais para além de suas estruturas de conformidade atuais, introduzindo-os aos regimes de impostos seletivos e tributos relacionados ao meio ambiente.
Mais um desafio de conformidade fiscal se aproxima. À medida que os fabricantes desenvolvem e vendem volumes maiores de soluções integradas (em vez de produtos individuais), essas ofertas precisarão ser analisadas sob vários ângulos tributários. O agrupamento dessas soluções é complexo do ponto de vista da conformidade com impostos indiretos. A oferta é composta ou mista? Aplica-se uma única alíquota ou várias alíquotas? Existe algum elemento isento? As respostas a essas e outras perguntas variam conforme a jurisdição fiscal.
Modelos baseados em resultados e assinaturas também alteram o momento e a natureza das transações tributáveis: vendas únicas dão lugar aos fornecimentos recorrentes que exigem faturamento contínuo, cálculos no momento do fornecimento e, em alguns regimes tributários, relatórios periódicos.
O relatório destaca que a integridade dos dados será fundamental no cenário emergente, que a PwC descreve como uma "corrida para incorporar tecnologia e automatizar amplas áreas da manufatura industrial." Uma ideia semelhante se aplica aos impostos indiretos: integridade dos dados fiscais, com o suporte de um sistema de impostos desenvolvido para essa finalidade, deve ser um elemento fundamental para viabilizar uma capacidade avançada de conformidade tributária e planejamento se as equipes da área fiscal quiserem acompanhar o ritmo da corrida para 2030. Este documento técnico da Vertex-BDO é um bom ponto de partida, ele detalha como os principais fabricantes estão usando a automação para lidar com a conformidade tributária no momento.
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